Patrícia Roque administra a empresa da família Oltremare e Roque Indústria, fabricante de peças para caminhões baú e sider. Formada em publicidade e propaganda pelo ISCA Faculdades em 2007 de Limeira, trabalhou na Contin Marketing, onde despertou seu interesse e paixão pela profissão. Nas horas vagas adora curtir a família, os amigos, sua moto e o bom e velho rock ‘n’ roll. Escreve sobre Cotidiano, todo Domingo.
Ideologia
Cazuza

MEU PARTIDO
É UM CORAÇÃO PARTIDO
E AS ILUSÕES ESTÃO TODAS PERDIDAS
OS MEUS SONHOS FORAM TODOS VENDIDOS
TÃO BARATO QUE EU NEM ACREDITO
EU NEM ACREDITO
QUE AQUELE GAROTO QUE IA MUDAR O MUNDO
(MUDAR O MUNDO)
FREQUENTA AGORA AS FESTAS DO "GRAND MONDE"

MEUS HERÓIS MORRERAM DE OVERDOSE
MEUS INIMIGOS ESTÃO NO PODER
IDEOLOGIA
EU QUERO UMA PRA VIVER
IDEOLOGIA
EU QUERO UMA PRA VIVER

O MEU PRAZER
AGORA É RISCO DE VIDA
MEU SEX AND DRUGS NÃO TEM NENHUM ROCK 'N' ROLL
EU VOU PAGAR A CONTA DO ANALISTA
PRA NUNCA MAIS TER QUE SABER QUEM SOU EU
POIS AQUELE GAROTO QUE IA MUDAR O MUNDO
(MUDAR O MUNDO)
AGORA ASSISTE A TUDO EM CIMA DO MURO

MEUS HERÓIS MORRERAM DE OVERDOSE
MEUS INIMIGOS ESTÃO NO PODER
IDEOLOGIA
EU QUERO UMA PRA VIVER
IDEOLOGIA
EU QUERO UMA PRA VIVER

Estava ouvindo uns dos clássicos do Cazuza, um dos maiores compositores do nosso País. Percebi que não temos mais Heróis. Precisamos de mais energia positiva para nossa vida. Nossos sonhos, realmente estão perdidos.
Sonhos, ainda temos sonhos!?
Tenho sonhado acordada, sonhado demais. Nessas noites de escuridão apocalíptica, tenho idéias noturnas que não passam de meros rabiscos de um amanhã, em que não acredito realmente, mas o que sobra para pessoas como nós, brasileiros, além do sonho? O sonho de “um mundo melhor”, tão cantado e versado por tanta gente, é também o tocante da minha imaginação, que é juvenil, mas que tem a densidade do mundo.
Tenho lido algumas coisas, conversado com pessoas, ouvido alguns daqueles que cantam algo audível, em meio a esse barulhamento de porcarias em que se transformou a produção musical brasileira. O que me resta é recorrer aos antigos, nem tão antigos assim. Enfim, resta recorrer àqueles que estão livres da contaminação da tranqüilidade falsa. E nesses pequenos momentos de fuga desse mundo que não é meu, tento absorver aquilo que toca o meu “coração” profundamente. Tento formar uma ideologia, ou tento buscar algo que me faça ter vontade de levantar de manhã.
Será que ainda existam pessoas boas, pessoas éticas, pessoas justas, pessoas humanas, pessoas sensatas?...
Em meio a tantas dúvidas, a certeza que me resta é uma só: o horizonte dos meus sonhos é vermelho. Essa história não pára por aqui, o mundo ainda vai vermelhecer. Acho que descobri o ano e o lugar que seria a segunda opção para o meu nascimento: algum ponto da então incipiente União Soviética, em 1900. Uns chamaram a Revolução Russa de “aventura”, eu a vejo como uma representação de algo em que valha à pena acreditar. Não quero essa revolução de Stalin, maldito traidor dos bolchevistas e de todo o povo russo. Não quero o sonho americano, quero o “paraíso comunista”. Não quero uma democracia de papel, com governantes movidos a papel. (Leia-se dinheiro, que não deixa de ser papel) Não quero proletários e camponeses analfabetos.
Sonho com o dia em que todos colocarão suas cabeças para o presente, para o trabalho, e não para a corrupção, mensalão, enchimento de saco ou para a desonestidade. É, pessoal, chegou o dia em que ser honesto virou motivo de vergonha. Mas se foi possível criar isso que chamamos de “sociedade brasileira”, também será possível criar um lugar em que palavras como “justiça”, “respeito” e “dignidade” realmente façam sentido. 
Ideologia, Eu também quero uma pra viver.