Ah, o dinheiro!!!
O trabalho endurece o homem. Quando somos crianças vivemos de favores e doações (as pessoas vivem nos dando as coisas), e então acreditamos na caridade humana, apesar de não sermos, enquanto crianças, nada caridosos. De acordo que vamos crescemos descobrimos que a prosperidade muitas vezes vem da oportunidade e que o homem próspero é, por definição, um oportunista. Como vamos ficando mais “espertos”, também descobrimos que vida deve ser bem administrada, e que as finanças também devem ser precisas dos custos e receitas estão na raiz da riqueza e da felicidade. Então, descobrimos que o homem próspero e feliz, além de oportunista, é também um calculista, e dos frios!
Amadurecer é começar a trabalhar e a maior, talvez única, diferença entre um adulto e uma criança é que o primeiro depende de seus próprios meios para viver e o segundo vive da generosidade dos outros. O adulto vive do amor próprio e a criança vive do amor do próximo. Em diferentes proporções e com vários graus, amadurecer significa sair de um estágio de ingenuidade para uma nova posição, em que a caridade e o altruísmo desempenham um papel quase irrelevante, praticamente na contra mão, solapados pelas necessidades prementes e pelas cotoveladas que damos e levamos em busca de algum espaço. Essas cotoveladas são o trabalho da vida adulta. E são uma pena termos que trabalhar para conseguirmos dinheiro. Claro que sim, por que o dinheiro, principalmente o dinheiro fácil, ganho sem grande esforço, abre o espírito, refina os modos e financia educação. Mas o dinheiro ganho com trabalho duro e honestamente é amaldiçoado. Vem contaminado com ganância e avareza, é o produto do endurecimento do nosso espírito e o prêmio final pelo consumo de todo nosso precioso tempo.
O dinheiro é uma espécie de lixa ultrafina, que em mãos erradas arranham, danificam coisas belas, mas nas mãos certas apara as arestas de nossa educação e reduz as imperfeições de nosso caráter. O problema é que muitas pessoas desperdiçam a maior parte do seu tempo atrás de dinheiro, e se esquecem de aprender como gastá-las. Sofisticação exige muito dinheiro e pouco trabalho, eis a última das contradições de nosso tempo. |