Uma vida longa e ousada
O Brasil perde sua atriz mais idosa e mais despojada
Conseguir despertar diferentes sentimentos no público é uma tarefa bastante difícil para quem trabalha com a dramaturgia. Uma tarefa nem um pouco estranha para a atriz Dercy Gonçalves. A atriz que foi enterrada nesta terça-feira (22/07) em Santa Maria Madalena, região serrana do Rio de Janeiro, conseguia com bastante ousadia ser admirada, suportada e também detestada... tudo ao mesmo tempo.
Uma das atrizes mais idosas da história do Brasil, com 101 anos de idade, Dercy superou a pobreza e conquistou o carisma popular ao fazer os brasileiros rirem.
Em vida, ela ousou como atriz e como pessoa. Sua história de vida já foi retratada em samba enredo da escola carioca Viradouro. Num espaço onde Dercy, em 2004, desfilou mesmo prestes a completar quase um centenário de vida.
Toda a ousadia e disposição de Dercy era por ela explicada como sendo o resultado de sua alegria.
Nesta semana em que os brasileiros puderam acompanhar o velório da atriz, seria necessário tratar este tema nesta coluna. Mas escrever sobre Dercy Gonçalves é uma tarefa para poucos. Por isso optei por deixar a definição da atriz para um dos grandes nomes do humor brasileiro - Chico Anysio que durante o velório de Dercy Gonçalves divulgou a imprensa: “Jesus poderia ter paciência e esperado um pouquinho mais. É uma lacuna que se abre, e não tem ninguém que possa completá-la”.