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Câmara Municipal de Limeira
 
OBS: Todo o conteúdo se encontra conforme o original
 
Histórico da Câmara Municipal de Limeira
 
Instalação da Câmara Municipal de Limeira
 
Limeira em 1842, quando foi elevada a Vila, era uma povoação de cerca de 80 a 100 casas. A vista tomada pelo exímio desenhista Hércules Florence, em 1839, de um ponto do bairro da Boa Vista, apanha o núcleo principal da vila, em torno da Matriz de N. Sra das Dores, distinguindo-se seu pátio, as ruas de Limeira, Santa Cruz e das Flores.
No Recenseamento de 1844 o município registrou 965 fogos ou lares disseminados por 13 bairros além da vila. Seu quadro eleitoral possuía 300 inscritos, sendo que 233 eram votantes que participavam apenas de eleições paroquiais, e 67 eram qualificados com capacidade para serem eleitores.
A Instalação da Câmara Municipal de Limeira com a posse de seus primeiros vereadores, em 22 de julho de 1844, foi um acontecimento solene e grandemente festivo, que congregou não somente a população da vila como a de bairros próximos, precedida de missa e com bastante foguetório.
Conforme já referimos anteriormente, os livros e papéis antigos que deviam ter sido bem arquivados e resguardados da ação destruidora do tempo e de mãos daninhas e descuidadas a serviço da ignorância, infelizmente se perderam. A Prefeitura atual intenta fazer um levantamento cuidadoso dos livros e papéis estantes para estudo e classificação dos mesmos. Possivelmente esse trabalho irá ser confiado a um técnico ou servidor de cultura universitária. Quando ao que foi perdido, alguma coisa poderá ser reconstruída através de ofícios e relatórios daqui expedidos e felizmente guardados no Departamento de Arquivo do Estado. Foi esta a maior fonte para nossas pesquisas e é fruto delas o documento histórico que a seguir transcrevemos, aliás por nós divulgado em palestra feita no Lions Club de Limeira, em 1960.
 
Auto de instalação de posse dos vereadores da Câmara da nova Vila da Limeira
 
"Aos vinte e dois do mês de julho de mil oitocentos e quarenta e quatro annos, em cazas destinadas para as sessões da Camara Municipal desta nova Vila de Limeira, Achando-se presente e sentado no topo da Meza, o Vereador mais votado o Capitão Manoel José de Carvalho, o qual já havendo prestado o juramento, perante a Camara Municipal da Vila da Constituição, na conformidade da auctorização dada pelo Excellentissimo Senhor Prezidente da Provincia, em portaria datada de 4 de maio do corrente anno, e sendo ahi pelo mesmo Cappitão Manoel José de Carvalho, em qualidade de Prezidente desta nova Câmara, e em virtude do Decreto de 22 de julho de mil oitocentos e trinta e três, deferiu o juramento ao Vereadores Antônio José da Silva, Antônio Luis da Rocha Camargo, Rafael Antoônio de Sampaio, Antônio Alves de Almeida Lima, José Pedrozo do Amaral, fazendo que os mesmos pondo sua mão direita, no Livro dos Santos Evangelhos, declarassem desempenhar as obrigações de Vereadores, e promovessem quanto em si coubesse os meios de sustentar a felicidade pública; depois de cujo juramento tomaram os competentes assentos os Vereadores afim de tratarem dos interesses do Municipio, na conformidade do Artigo 4.o do Decreto de treze de novembro de mil oitocentos e trinta e dois, havendo-se a presente Camara por instalada na forma do Artigo terceiro deste Decreto, e em virtude da Lei Provincial numero vinte e cinco de oito de março de mil oitocentos e quarenta e dois que elevou a cathegoria de Villa a esta anteriormente Freguezia; sendo determinado a extração de huma copia authentica deste presente auto para ser remetida ao Excellentissimo Governo da Provincia segundo determinação do artigo quarto do já sitado Decreto de treze de novembro de mil oitocentos e trinta e dois, de que para constar lavrei o presente auto em que se assignão o Prezidente e mais Vereadores da Camara prezentes, e eu Antônio Luiz da Rocha Camargo, Antônio José da Silva, Rafael Antoônio de Sampaio, Antônio Alves de Almeida Lima, José Pedrozo do Amaral. Eu Aurelio Justino Franco, Secretário o escrevi. Está conforme o original."
 
Ata da 1ª Sessão Ordinária da Nova Câmara de Limeira, em 7 de janeiro de 1845 *
Presidência do Senhor Antônio José da Silva
 
"Aberta a sessão com seis membros, e entrando a nova Câmara na ordem dos seus trabalhos, foi pelo seu Presidente declarado que achando-se ali presente o senhor Capitão Manoel José de Carvalho, vereador reeleito para o presente quatriênio, se lhe desse posse o juramento sendo por todos aprovado, tomou posse e juramento na forma de estilo. Foi pelo mesmo Senhor Presidente proposta que a Câmara nomeasse uma Comissão permanente de três membros para darem seus pareceres em todo e qualquer negócio que a isso fosse resolvido, o que sendo aprovado e posto a votação saíram eleitos os Senhores Vereadores Antônio Luiz da Rocha Camargo e Odorico Nunes de Oliveira, com maioria e os Senhores Manoel José de Carvalho e Olivério empatados, sendo desempatados pelo Senhor Presidente recaiu no Senhor Olivério. E não havendo mais o que tratar deu o Senhor Presidente por finda a primeira sessão da posse da nova Câmara. Para constar farei a presente Ata. Eu Aurélio Justino Franco, Secretário que a escrevi."
* NOTA – Em vez de Ata, que é a narração ou resumo por escrito do que se passou em uma sessão, o secretário que a redigiu chamou de Auto, que em sentido forense significa a narração de qualquer ato ou diligência judiciária ou administrativa escrita e autenticada pelo escrivão. O secretário da Câmara que extraiu a cópia era o professor de primeiras letras Aurélio Justino Franco, aliás o regente da primeira escola primária que Limeira possuiu.
* 1 a 12 – Ofícios de Limeira – 1845. Dep. Do Arquivo do Estado
 
Presidentes de Câmara Municipal de Limeira
 
Em 11/04/1835, a lei provincial nº 18 criou o cargo de "Prefeito", que representava o governo junto às edilidades. O cargo desapareceu em 1838. O primeiro "Prefeito" de Constituição (Piracicaba), que tinha jurisdição na época sobre Limeira, foi Francisco José Machado, que tomou posse em 06/07/1835. Em 26 de maio de 1836, ele oficiou ao vice-presidente da Província informando os nomes dos sub-prefeitos que propôs para a freguesia de Limeira e outras da região.
Aprovados os nomes propostos, o vice-presidente enviou ao Prefeito as nomeações para serem entregues aos nomeados.
O historiador Leandro Guerrini, em sua "História Piracicabana em quadrinhos", vol. 01, não cita o nome do nosso sub-prefeito.
 
Nome
Ano
Cap. Manoel José de Carvalho
1844 a 1845
Cap. Antônio José da Silva
1845 a 1846
Cap Manoel Ferraz de Camargo
1846 a 49 e 57/59/60
Tte. Joaquim da Silva Diniz
1849
Cap. Joaquim Claro
1850
Cel. Rafael Antônio de Sampaio
1850/54/55/56
Cap. Manoel Joaquim da Silva Mello
1850/51/52
Major José Rodrigues Penteado
1852
Prof Justino Sampaio
1853/56
Cap. Antônio Ferraz de Campos
1853/54/55/57
Cel. Joaquim Sertório
1854 a 57,65 a 68 e 73 a 76
Sr. Joaquim Claro Abreu
1858
Sr. Dionísio José Franco
1859/60
Cap. Manoel Ferraz Pacheco
1859 e 1883/86
Cap. Candido José de Campos Ferraz
1861/62/65
Cap. Francisco da Cunha Bueno
1861
Cap. João Soares Pompeo
1826/64
Cap. Lourenço Franco da Rocha
1865 a 69, 75 a 77 e 1880
Sr. José Bernardino de Castro Aguiar
1865
Cap. Antonio da Silveira Penteado
1865/66/68
Tte. Francisco Simões da Costa Moraes
1865/73/74
Sr. Francisco Eugênio das Chagas
1865/67/68
Cel. Joze Gonsales de Sampaio
1867/73/75/1884/91
Cap. Gfrancisco Antonio Leite
1869/70/71/72
Dr. Paulo Egidio de Oliveira Carvalho
1869/70
Cel. José Joaquim de Abreu Sampaio
1869/70/74
Cap. Francisco Alsis Silveira
1869/71
Cap. Bento da Silveira Franco
1871/71/73
Sr. Luiz Antonio de Sampaio
1872
Dr. José Felipe de Toledo
1875/78/79/80
Dr. Joaquim José Araujo Viana Jr.
1876
Sr. Francisco Gonçalves da Silva
1877/79/83/84
Sr. José Pires da Silveira
1879
Dr. Francisco Franco da Rocha
1879
Cel. Thomaz da Cunha Bueno
1880
Dr. Evaristo de Araujo Cintra
1880/81
Sr. José Monteiro de Mendonça
1880/81
Cel. Flaminio Ferreira de Camargo
1881/82
Cap. Vicente José de Campos
1881/82
Dr. Virgílio Pires de Camargo
1881
Sr. José Machado de Barros
1883/85/86/1892
Cap. Joaquim Maynert Kehl
1887/89/90/92/93 a 96
Cap. João Borges Sampaio
1888/1890/91/93/94/95
Cap. Manoel Toledo Barros
1888/1900
Dr. Ignácio de Mendonça Uchoa
1889
Sr. José Ferreira da Costa
1890/91
Sr. José Levy
1891
Dr. Fabricio Vampré
1890/91
Sr. Antonio Nunes dos Santos Monteiro
1891
Sr. Valêncio Augusto de Barros
1891
Sr. Firmino Pires da Mata
1891
Cel. Joaquim Antonio Machado de Campos
1891
Dr. Norberto de Campos Freire
1891/92/93
Cap. Pedro Rodrigues da Costa Dória
1892/93
Cap. Antonio Machado de Campos
1892/93/97
Sr. João Bueno Camargo
1892/93
Sr. Candido Pereira Gustavo
1892
Sr. Joze Joaquim de Oliveira
1892
Dr. Francisco Vieira de Almeida
1892
Major Antonio Machado de Barros
1892/93/94
Major Antonio Augusto F de Camargo
1894/95/96/97
Sr. Antonio Mariano da Silva Gordinho
1896
Cap. Augusto Machado de Campos
1896
Major Vicente Ferreira Bittencourt
1896/97/98
Sr. Joaquim Augusto de Barros Penteado
1897
Cap. Joze Machado de Campos
1898
Dr. Antonio Ferraz de Sampaio
1898/1900/1901
Cel. Joaquim Leite do Canto
1899/1902 a 1906, 1914 a 1916
Sr. Candido Pereira Gustavo
1889/1900
Cap. Antonio de Barros Ferraz
1900/02/03
Cel. Belisário Leite de Barros
1898, 1901 a 1912
Major Arthur Sampaio
1909
Dr. Gastão de Souza Mesquita
1901/02
Sr. Joaquim Augusto de Barros Penteado
1901/02/04
Cap. Flaminio A Toledo Barros
1905/07, 1914 a 1925
Dr. Alfredo Ferraz de Abreu
1910/29/30
Sr. Josino Moreira
1907/08
Dr. José de Sampaio
1908
Dr. Luciano esteves dos Santos Jr.
1910
Sr. Vicente Pacheco Taques
1910/11
Cap. Angelo Pixitelli
1912, 1917 a 1920
Cap. Francisco Sérgio de Toledo
1912/13
Dr. Francisco de Paula Souza
1912/13/16
Sr. Huberto Ambruster
1914
Sr. Mário de Souza Queiroz
1914
Sr. Horácio de Campos Barros
1915/16/25
Sr. Alberto Ferreira da Silva
1917
Dr. Francisco de Oliveira Chagas
1917/18
Sr. Antonio Henrique de Araujo
1919
Major Miguel Batista Coimbra
1920/21
Cap. Olavo Ferreira
1921
Dr. Trajano de Barros Camargo
1922
Sr. Joaquim Manoel Pereira
1923
Sr. Sebastião Barbosa de Toledo
1923
Dr. João Batista Levy
1923/25/26
Sr. Vicente Ferraz Pacheco
1924
Sr. Antonio Pacheco do Amaral
1924
Major José Levy Sobrinho
1926 a 1929
Dr. Humberto Levy
1927/28/30
Dr. Gumercindo Godoy
1935/17.9.36 a 17.10.36
Sr. Antonio Diniz
1935/36
Dr. Octavio Lopes Castello Branco
1936/37
Sr. Henrique de Sampaio
1936/37
Dr. Breno Machado Gomes
1948/49/50/54/55/59
Sr. Vitório Lucato
1951
Sr. Sérgio Leopoldino Alves
Final do período de 1951
Sr. Américo Francisco
1952/53
Dr. Nathanael de Almeida Leitão
1956/57
Dr. Olindo de Luca
1958
Sr. Jorge Abdala
1960
Sr. João Loureiro
1961/63
Dr. Antonio Guarino Sobrinho
1962/67/69/70
Sr. Antonio Feres
1963/68
Sr. Renato de Almeida
1963
Dr. Francisco Toledo C. de Vasconcellos
1964/65/66
 
Nos períodos assumiram também a presidência os vices
 
Sr. José Mansur
Dr. Milton Ferrari
1973/74/77/78
Sr. Vitório Bortolan
1975/76/79/80
Luiz Oswaldo Fagotti e Marco Cover
Dr. Luiz Gothardo Bueno de Oliveira
1981/82
Sr. Elza Sophia Tank Moya
1983/84
Dr. José Ponzo
1985/1986
Elza Sophia Tank Moya
1987/1988
Vitório Bortolan Filho
1989/1990
José Carlos Pejon
1991/1992
Elza Sophia Tank Moya
1993/1994
Dr. Jurandir Bernardes Pereira/Dr Odair Antonio R. de Camargo (período de 1996)
1995/1996
Antonio Montesano Neto
1997/1998
Dr. José Henrique Pilon
1999/2000
Dr. José Henrique Pilon
2001/2002
Sr. Jurandir Bernardes Pereira
2003/2004
 
A Câmara Municipal "150 anos"
 
A Câmara Municipal de Limeira já funcionou nestes seus 150 anos de atividades, em vários locais.
Nos documentos relativos ao ano de 1.844, após sua instalação, consta que as reuniões eram feitas "em casas destinadas para sessões da Câmara Municipal".
Por volta de 1.845, por meio de ofício endereçado ao governo provincial, enviado pelo "Inspetor de Obras Públicas" Manoel José de Carvalho, reclamou-se a construção da casa da Cadeia, Fórum e Câmara, na Praça José Bonifácio. Como Competia às Vilas construir este prédio, o Governo nada deu.
Segundo o historiador Dr. Busch, em sua obra "História de Limeira", "A Câmara Municipal, o Fórum e a Cadeia estavam instalados em casas alugadas e impróprias".
Em 1.859 foi feita um subscrição entre as pessoas detentoras de recursos, para se construir o sobradão, que foi inaugurado em 1.865, abrigando a cadeia, serviços municipais e sala de reunião para a Câmara Municipal e o Tribunal.
Posteriormente passou a funcionar à Rua Dr. Trajano, 745 , no edifício da Caixa Econômica Estadual.
Pela Lei 1.138/69, foi autorizada a transferência da Câmara Municipal para o prédio "Palácio Tatuibi" pela Lei 1.202/70, sito a Rua Boa Morte, 135. Atualmente transferida para a Praça Dr. Luciano Esteves, 227.
 
O Nome de Limeira
 
O nome de nossa cidade originou-se do tradicional episódio do Rancho da Limeira.
Estas terras eram os sertões do Tatuhiby, banhadas pelo ribeirão Tatu ou Tatuhiby (tatu pequeno), cujo ponto culminante era o Morro Azul.
Tatuhiby foi o primeiro nome do povoado. O distrito, a freguesia e a capela curada eram de N Sra das Dores de Tatuhiby, mas o nome popular era Limeira.
Oficialmente usava-se a denominação de Tatuhiby, como podemos ver nos ofícios assinados pelo Senador Vergueiro, o Alferes Franco e outros, que dizem: "... para informar sobre as divisas das novas freguesias de Tatuhiby ou Limeira e Rio Claro..." e terminam: "Tatuhiby, 21 de maró de 1832.
No batizado, a 3 de fevereiro de 1831, está "... nesta capella de N Sra das Dores das Limeiras". Nos seguintes: 16/07/1831. Capella de Nossa Senhora das Dores, de Tathiby, denominada das Limeiras: 28/10/1931, N. Sra das Dores de Tatuhiby das Limeiras; 17/04/1832 Freguesia da N Sra das Dores de Limeira: 11/06/1832, Freguesia das Limeiras: e em 19/06/1832, e daí por diante, Freguesia da Limeira.
Um ofício de 14 de março de 1831, trata da nomeação de Antônio José da Silva "... para juiz da Capella de Limeira..."
A escrita da ocasião patrimonial do Capitão Cunha Bastos, datada de 26 de fevereiro de 1832, foi lavrada "no engenho do Ibycaba, distrito da Freguesia de N Sra das Dores de Limeira" e refere-se à "Sociedade do Bem Comum de Limeira".
A lista da Guarda Nacional está assinada: "Limeira, 30 de abril de 1833".
O nome de Limeira não teve uma data definida de oficialização. Começou a ser usado em documentos oficiais a partir de 1831. Logo que passou a Freguesia, abandonando aos poucos a denominação de Tatuhiby.

NOTA - para dirimir a dúvida existente de que Limeira só passou a ter esse nome quando foi elevada a Vila, transcrevemos o próprio trecho do decreto de emancipação "Artigo 1.º) Fica erecta em Vila a Freguezia de Limeira...". 
 
Fonte: Site Câmara Municipal de Limeira