Denominamos de
Marcha do Café ao processo de expansão cafeeira no Estado de São Paulo, iniciada por volta de 1.830 no Vale do Paraíba e atingindo a região central do estado em 1.850. Os cafezais paulistas tinham grande produtividade, porém o uso de técnicas impróprias esgotava o solo, que era abandonado e substituído por áreas novas, provocando o deslocamento da cafeicultura para o interior. Na região próxima à Campinas alguns fazendeiros iniciaram o cultivo do café utilizando os capitais acumulados com a exploração das minas de ouro e os lucros obtidos com a cana-de-açúcar.
Já em 1.828, o Senador Vergueiro, na Fazenda Ibicaba iniciara a substituição da cana pelo café, plantando 6.000 pés de café. O transporte , inicialmente, era realizado por escravos, mais tarde passou a ser feito por tropas de muares. Todo o trabalho de plantio, colheita e embalagem era realizado por escravos.
O Senador Vergueiro, desde 1831, defendia a utilização do trabalho livre de europeus no Brasil. Em defesa de suas idéias, em 1.840, Vergueiro trouxe um grupo de 80 imigrantes portugueses e suas famílias para trabalharem nas lavouras de café em sistema de
parceria. Esse sistema era um tipo de contrato onde os europeus vinham para o Brasil com a viagem custeada, recebendo aqui acomodações e a quantidade de cafeeiros que pudessem cultivar, colher e beneficiar. Do produto da venda do café eram deduzidas as despesas de viagem; a metade dos lucros era dos colonos e a outra metade do contratante.
Em 1846, foi criada a firma Vergueiro & Cia, composta pelo senador e seus filhos, para realizar a colonização em Limeira e Rio Claro. No mesmo ano chegavam 423 colonos alemães contratados pelo sistema de parceria para trabalhar na Colônia Vergueiro.
O sistema de parceria se espalhou por quase todo o interior paulista, apoiado por outros fazendeiros. Entre as 26 colônias de parceria fundadas entre 1.847 e 1.857, seis estavam localizadas nas terras da Vila de Limeira: Colônia Vergueiro, São Jerônimo, Santa Bárbara, Morro Azul, Tatu e Colônia do Capitão Diniz
Em 1.850 foi aprovada a Lei Eusébio de Queiroz que extinguiu o tráfico de escravos negros para o Brasil , e também a Lei de Terras que obrigava os proprietários de terras , dentro de 2 anos, a fazerem o registro das terras no livro de Registros de Terras na Câmara Municipal. Desta forma ninguém poderia ocupar terras sem comprá-las ou sem a concessão do Governo. Em Limeira foram realizados 257 registros. De Limeira, a firma Vergueiro & Cia realizou a distribuição de milhares de colonos.
Em 1.852, 37 famílias de alemães do Ducado de Holstein partem para o Brasil. Destas , 9 famílias ficaram numa colônia em Campinas e as demais foram destinadas à Colônia São Jeronimo. Em 1856, 15 dessas famílias compraram terras de Chico Pires, originando o atual Bairro dos Pires.
Em 1.855, a Vergueiro & Cia fundou a Colônia Angélica e para lá foram enviados suíços, alemães, belgas, portugueses e espanhóis. Em 1.857 ocorreu a Revolta dos Parceiros. Liderados por Tomas Davatz, que não concordava com algumas medidas do sistema de parceria, os colonos se revoltaram. As notícias desta rebelião provocaram a decadência do sistema de parceria.
Em 1 859, dois fatos marcaram a fazenda Ibicaba: o Governo alemão proibiu a emigração para o Brasil , e faleceu o Senador Vergueiro, deixando os negócios a cargo de seus filhos.