Os delegados do Denarc (Departamento de Investigações Sobre Narcóticos), Everardo Tanganelli e Rubens Barazal, deram sexta-feira (14/11) detalhes das investigações que levaram à detenção de nove criminosos – seis menores e três maiores – na última quarta-feira (12/11), acusados de praticar crimes violentos contra homens e mulheres de origem chinesa residentes na cidade de São Paulo, incluindo dois latrocínios e uma tentativa de homicídio. Seis carros, duas motos (comprados com o dinheiro roubado nos crimes) além de euros, dólares e pertences das vítimas foram apreendidos pela polícia com os rapazes, que estavam escondidos em uma casa alugada, na cidade de Mongaguá.
O primeiro crime esclarecido pelo Denarc foi o ocorrido no dia 4 de outubro, no bairro da Aclimação, no qual um senhor chinês de 83 anos foi espancado e teve pertences pessoais roubados de sua casa. Poucos dias após o crime, a vítima morreu. Os criminosos confessaram ainda um outro latrocínio, que está sendo delineado pela Dise (Divisão de Investigações Sobre Entorpecentes), no qual uma caneta foi utilizada como arma, tendo sido enterrada no ouvido da vítima até matá-la. O crime teria ocorrido também no mês de outubro, na região central da cidade. A polícia busca agora esclarecer outros dois latrocínios com as mesmas características.
“Nós temos indicativos de que mais pessoas participem dessa quadrilha e continuamos em investigações para que possamos, em pouco tempo, botar as mãos no resto do grupo”, afirmou Tanganelli. A polícia acredita que as vítimas passaram a ser escolhidas após um furto, no qual 150 mil dólares foram levados em uma mala na casa de um comerciante chinês – fato que os teriam levado a pensar que o acúmulo de dinheiro era uma característica comum àquela comunidade oriental. O padastro de um dos menores é de origem chinesa e a polícia trabalha com a possibilidade de ter sido ele quem indicou as vítimas à quadrilha.
Os menores de idade são os mais violentos do grupo. Um deles, conhecido como “Feijão”, teria matado pelo menos uma vítima após espancamento, além de uma senhora de 82 anos, que não consegue sair da cama, pelos diversos ossos do corpo fraturados após ter sido espancada por ele. “Pela declaração das vítimas e dos próprios integrantes do bando, Feijão sempre apresentou o comportamento mais violento”. Todos os integrantes, incluindo os que são agora maiores, se conheceram na Fundação Casa.
Outro indício que confirmou a participação dos homens nos crimes foi o levantamento feito pelo Denarc dos bens comprados pela quadrilha, que segundo Barazal, estariam “fora de sua realidade econômica e social”. Seis carros, duas motos, um imóvel e até o aluguel de um camarote em uma casa noturna, no valor de R$ 30 mil, foram adquiridos pelo bando.
“Contamos com a divulgação por parte da imprensa para que mais pessoas, que foram vítimas de crimes semelhantes, venham nos procurar, como tem ocorrido com cada vez mais freqüência, nos últimos dias”. O objetivo da polícia, segundo os delegados, é garantir a tranqüilidade dos cerca de 160 mil chineses que vivem em São Paulo.
Serviço
Você pode ajudar o Denarc no esclarecimento dos crimes contra chineses. Caso tenha informações, ligue para o telefone (11) 3094-4600 |